terça-feira, 20 de novembro de 2012


.... dia 20 de novembro de 2012
A felicidade se faz presente em minha vida, desde o dia que mainha e painho souberam que estavam grávidos de mim. E se fez presente em vários, muitos e é impossível contar em quantos momentos. Mas, há 24 anos, ela se fez presente em forma de meu renascimento..... durante 7 anos simplesmente não conseguia enxergar motivos para afirmar SOU FELIZ, mesmo tendo vários, o fato de estar viva, do amor incondicional de meus pais, minha irmã e de meus leiais escudeiros, de poder andar com as duas pernas...inúmeros fatores..mas o que acontecia, era que ficava me perguntando pq eu? E isso tomou bastante tempo e gastei bastante energia, inclusive sendo agressiva com as pessoas, com o mundo..quando finalmente tenho um minuto dejavu e vi, revivi todo o atropelo, parece que o mundo se desfez em pedaços e então.......suspiros......estou procurando palavras...... bem..... eu percebi que meu maior problema, não era  a deficiência, era o meu próprio preconceito e confesso foi tão difícil assumir isso.... quando resolvi que era o momento de dar um basta em todo o meu sofrimento e também de deixar de ver nos olhos das pessoas amadas uma dor tão forte que dilacerava minha alma.  Tirei um peso enorme do coração e aí pude caminhar na direção da felicidade, que veio acompanhada da fé, da esperança, do amor, de cores, de perfumes, de um pouco de loucura....
Hoje, passei por transformações tão profundas, desfiz crenças limitadoras, amei, fui amada, digo não sem culpa, abolir a palavra culpa do meu viver, recebi inúmeros presentes de Deus, em forma de gente, presentes que desembrulho com muito carinho e vagarosamente, para que, durem a eternidade de cada segundo.
Continuo usando o jogo do contente e sei que alguns acham que sou louca e daí que seja minha loucura preferir descobrir e olhar o lado bom e positivo da vida, sem deixar de saber da existência do lado negativo.... e daí se danço sozinha, se amo e celebro cada amanhecer, se tenho o dom de deletar tudo o que me fez chorar ou ficar triste um dia,se para mim, importa apenas a opinião de algumas poucas pessoas, se sou perfeitamente satisfeita com os quase filhos que a vida me deu, se acredito naquilo que não vejo e sei que existe, se sei que  a minha felicidade, se faz presente em pequenos ou grandes momentos do dia a dia, se sou como sou, “uma gente” que ama o simples fato de estar viva, e que visito o meu passado com doçura ou não, depende para onde quero ser levada, que sei que agora, ás 01:42 da madruga, não sou  a mesma de ontem de manhã... e que hoje mais tarde já não será a mesma...estou em processo de mudança, de busca de ser melhor a cada dia, de olhar no espelho e dizer... Vc é linda e que mulher especial, única, doce, alegre, birrenta, a que é muitas  Giulia em uma só e que sabe que isso é uma delícia.
Sou grata  a meu Santo Toinho, minha mãe Yemanjá, aos Espíritos de Luzes que me acompanham, me orientam, me protegem, e tudo isso e todos Eles com a benção de MEU DEUS, um pai justo, amoroso e que mesmo quando discuto com Ele, tem paciência para me ouvir e me fazer ver que nem sempre o quero é o melhor para mim e que Ele só quer o melhor, o que me fez, me faz e me fará ter o coração sorrindo e minha alma gargalhando. E a meus pais, minha irmã & Cia e meus leais escudeiros.




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CARTA ABERTA A DEUS, A MEUS PAIS, MINHA IRMÃ, MEUS LEAIS ESCUDEIROS E QUEM POSSA SE INTERESSAR....



                              
Começo da escrita... 30/07/97

20 de novembro de 1988, +ou – 07h40min h, de uma manhã ensolarada de domingo, bem típica daqui de Salvador. Acordo, e em volta de mim vejo rostos desconhecidos, todos vestidos de branco, sinto cheiro de éter (q até hoje me causa náuseas) e percebo que gemidos de dor se fazem presente, inclusive os meus. Consigo ver mainha e painho, enxergo nos olhos deles uma mais profunda dor, expressão que jamais vou esquecer e que me acostumaria a ver diversas vezes, com o passar do tempo e ainda ...hoje. Finalmente sou comunicada q fui atropelada e que além das diversas escoriações (pé direito, joelhos, mãos, cotovelos, testa, orelha direita), da possibilidade de traumatismo craniano, eu havia fraturado o fêmur esquerdo... não sabia, mas... por causa desta fratura iria ficar em torno de 1 ano e 6 meses em cima da cama (saindo e entrando de hospital, alternando a necessidade de ficar, com o não querer sair dela), ser carregada em cadeira de piscina, urrar e desmaiar de dor, sem saber se ficaria ou não com minha perna, andar de muletas (já perdi as contas de quanto tempo), passar por inúmeras cirurgias. E só por que houve negligência do primeiro médico e eu tive infecção óssea, depois da primeira cirurgia.
Pude constatar o mesmo olhar profundamente triste e dolorido não só nos olhos de meus pais, também nos olhos de minha irmã, meus tios, dos meus leais escudeiros e para minha própria surpresa, nos meus próprios olhos, que apenas refletiam o que me ia à alma.
Passei um longo período sem me permitir sentir as perdas que tinha tido, afinal, eu dançava, jogava capoeira, era admirada pelo meu corpo e o mais importante ir e vir a qualquer hora e de qualquer lugar. Se não levantasse para pegar um copo d’água ou p/ apagar a luz, ou se prendia o xixi era por pura preguiça, não dependia de ninguém ou de nenhum aparelho, como dependo agora e vou depender pelo resto da minha vida.
Hoje sei que as dores físicas que duravam 24h e já faziam parte do meu dia a dia e inconscientemente o meu próprio preconceito, que só aflorava em forma de choro (normalmente na hora de dormir), de agressividade (sempre com as pessoas que nunca me deixavam) e de revolta, por isso me afastei de VOCÊ, DEUS, principalmente por nunca me responder, por que eu? Até p/ meu ANJO DA GUARDA sobrou, fiquei de mal um tempão, sem querer conversa e ainda tinha uma mistura de raiva da vida e de esperança de que um dia não sentiria mais dor e que voltaria andar normalmente. Esperança, sentimento doce e amargo, e que aos poucos foi diminuindo. Só painho continua a tê-la.
Na realidade só permitir que as dores causadas pelo atropelo e pela minha deficiência aflorassem 07 anos depois. E aí, eu fui procurar ajuda fazer terapia, pois necessitava conversar com alguém q não estivesse envolvido emocionalmente comigo e pude ver mesmo sentido todas às dores (físicas e emocionais) eu havia feito novas descobertas, obtive ganhos e fui além do “permitido” p/ uma pessoa com a minha deficiência. Pois, fiquei com seqüelas, não flexiono o joelho esquerdo, meu fêmur esquerdo possui forma de S ou da curva da estrada de Santos, como diz Dr. Sinval, enfim, minha perna esquerda é menor que a direita 8,5cm e por causa disso uso sapatos compensados 6,5cm e também um tipo de tensor, que tem a função de proteger meu fêmur de pancadas e possíveis fraturas e que tiro apenas p/ tomar banho de chuveiro e dormir.
Quase 9 anos depois do atropelo e após ter feito terapia, eu posso dizer que as descobertas, os ganhos e o ir além do “permitido”, se traduzem em ter realizado algumas coisas. Tais como: passar no vestibular da UFBA, feito em cima do leito, onde me encontrava com um gesso pélvico (que usei por + ou – 3 meses), com febre e vomitando muito, pois a infecção, se assim posso dizer, estava no auge; confirmei algumas verdadeiras amizades e descobri outras; fiz as pazes com VOCÊ, DEUS, e com meu ANJO DA GUARDA (será q algum dia eu estive realmente de mal com VCS???); voltei a ouvir mais minha intuição; deixei de sentir raiva do cara q me atropelou e hoje é como se ele não existisse; entendi que o médico q foi negligente, foi apenas um meio, pois eu precisava passar por tudo isso, p/ compreender q na vida é necessário se dar valor as pequeninas coisas; me formei em Pedagogia, só não consegui preencher o vazio que ficou por não poder trabalhar mais em educação especial; fui amada, amei; faço trilha na Chapada Diamantina (a primeira foi depois de ser deficiente) e é inesquecível a madrugada de sábado de Aleluia que passei no meio do Vale do Pati, com o céu cravejado de estrelas como testemunha e a paisagem como minha cúmplice, o rio indo sem mais voltar ao seu encontro noturno, hora manso hora bravo, o cheiro da terra molhada, tudo me fez entrar em êxtase e chorando de soluçar, junto com um sorriso nos lábios e na alma, vem alegria contagiante do meu coração, que gritava EU CONSEGUI! EU VENCI! A chuva, a lama, o preconceito de alguns participantes do grupo da trilha, os limites.
Também lembro com alegria extrema o CARNAVAL de 1993, sou absolutamente louca pela festa (herança paterna) e não curtia há 4 anos, e todos nós estávamos temerosos, pois o empurra empurra a multidão e a minha imensa vontade de pular atrás do trio, eram fatores que mexiam com nossos nervos e a preocupação por ser meu primeiro carnaval depois de me tornar deficiente, ficou palpável e estava quase desistindo, quando apareceu minha “anja” (não tão anja assim) de guarda, que topou na hora tomar conta de mim e foi simplesmente MARAVILHOSO, ainda sinto o gosto doce da vitória, a chuva caindo, depois o sol, o bloco puxado por Daniela Mercury, estreando com a carreira solo e a presença animada e protetora de Fatinha de alguns amigos, não me deixam esquecer deste CARNAVAL e me faz crer que foi um dos melhores de minha vida e creio que Fatinha não tem noção do quanto me fez feliz e do quanto lhe sou grata.
Ah! Tem também a primeira festa de Ano Novo, na passagem de 1990 p/ 1991, no Hotel Quatro Rodas, onde dancei muito com meus pais. Eu usava um aparelho de PVC que ia da coxa até a sola do pé, só podia calça tênis All Star com compensação, lembro q dancei tanto, que o macacão branco ficou grudado no meu corpo. Mas, tínhamos muito o que comemorar, não só o fim de 1990, mas e principalmente o fim da possibilidade de perda da minha perna, já que o vírus da infecção estava sobre controle. Quando os fogos explodiram no céu, meus pais, eu, minha irmã e meus amigos ...nas nossas almas em nossas mentes a certeza de que um novo caminhar estava se iniciando, além da gratidão por estar viva e inteira, mesmo com a deficiência.
Costumo brincar, dizendo que já sofri por esta encarnação, pelas passadas e por àquelas que ainda estão por vir. Neste meu caminhar, conheci na sua grande maioria, pessoas bondosas, generosas, que me deram e me dão força, que admiram a “coragem”, minha determinação, minha fé (ainda que vacilante). Mas também encontrei pessoas com crueldade no coração e o preconceito passou a fazer parte da minha vida, do meu dia a dia, foi e é duro. No começo chorei muito, muito por fazerem eu me sentir excluída, às vezes claramente, às vezes veladamente e muito por ver nos olhos de quem mais amos uma dor, uma raiva e isso doíam mais do que o preconceito em si.
Creio que a cada dia que passa aprendo a viver e ir á luta e não a sobreviver ou me comportar como uma pobre coitada, que dependia/depende de todo mundo para dar um passo, ir á esquina, não é fácil e ás vezes dar um cansaço, uma vontade de sumir, mas aí, sinto o amor, o respeito, a admiração que emanam de meus pais, minha irmã, meus leais escudeiros, então ocorre um espécie de renovação de força, de fé.
Tenho a consciência que provoco algum incômodo, pois assumir a minha deficiência vai muito além de usar biquíni, usar salto alto, fazer trilha na Chapada Diamantina, pular Carnaval atrás do trio elétrico, trabalhar, namorar, é mostrar ao próximo, ao outro ser humano, que se pode ser bonita, sensual, alegre, bem humorada, competente, ter luz no caminho, é ser um SER HUMANO COMPLETO, INTEIRO, PERFEITO.
Muitas vezes ao ver a reação negativa das pessoas eu reagir dando língua, fazendo gestos obscenos, mas hoje tenho a certeza de que esses “deficientes da alma” são dignos de pena e que a mim cabe combater o preconceito e comemorar, agradecer por estar viva e quase inteira (fisicamente falando), mas completa, perfeita (no coração e na alma), que sou uma vitoriosa e que tenho a capacidade de fazer com que as pessoas que convivem comigo, olhem para a deficiência minha ou de qualquer outra pessoa de forma mais leve e natural, acreditando que é possível ser feliz.
Sabe Deus, sinto que fui carregada no colo muitas vezes por Você, noutras Você me emprestou seu ombro e me fez enxergar a fé inabalável de meu pai, a força e a coragem sem medidas de minha mãe, o desejo latente de me ver boa de minha irmã e de meus leais escudeiros e a inocência de meus sobrinhos, que desde o mais velho até o mais novo, fizeram de minha perna sem flexão cavalinho e usaram e usam meus sapatos com compensação, como se fossem brinquedos e me imitam andar com uma naturalidade encantadora.
Se eu disser que foi muito bom o aconteceu, eu estaria mentido, não tenho por que negar que vez por outra fico imaginando minha perna esquerda perfeita novamente. Agradeço pelo Seu Ombro Amigo e Leal, por me fazer compreender que é sempre muito bom viver, por ter me tornado uma pessoa melhor, que aprendeu a olhar o outro com mais generosidade e tolerância e também por colocar pessoas especiais, fundamentais e responsáveis diretos pela minha volta por cima. São elas: Minha Mãe, Rita; Meu Pai, Costinha, Minha Irmã, Julienne, Meus Sobrinhos, Gabriel, Rodrigo e Marcelinho; Tia Benilda, com sua torta de palmito, Tio Luizinho; Tia Eciélia, com sua preocupação e seu amor formal; Tia Bete, com suas promessas p/ Santo Antonio; Milton e Elena; Fatinha, que sempre estavam por perto. Célia e Tio Enéas, com seu cheiro no meu cangote; Celso, Messias, Djalma Argolo, com suas orações e palavras de força, fé e coragem a meus pais e a mim mesma; D. Dalila Azevedo, por suas orações, acrinho, esporros e palavras de conforto nos momentos mais difíceis. Meus amigos, leais escudeiros, por que estiveram e sempre estarão comigo, que deixavam de fazer farras p/ ficarem ao meu lado, quando chovia iam lá para casa e quando fazia sol, me carregavam como verdadeira rainha, para o jardim, para a praia, para eu mudar de céu, já que o teto do meu quarto e a visão do mar e do Farol de Itapuã, eram a minha visão mais constante. Alguns são amigos de infância como: Leyla Cristina, Rita Ribeiro e Rosângela Dias e outros surgiram na minha vida e permanecem até hoje, como: Robinho, marido de Rita, Zelândia, minha vizinha e hoje comadre, Cássia Ribeiro, que passou de colega de faculdade a uma amiga-irmã; Gustavo Almeida, que de guia nas trilhas, se tornou um amigo na vida. Existe uma gratidão extrema e sou suspeita para dizer algo, afinal amo cada uma delas e meu coração se enche de alegria ao lembrar o que cada uma fez, faz e representa para mim, e que todas juntas foram e são capazes de iluminar o meu caminho.
Existe 2 pessoas que expresso minha gratidão, por terem me salvo. Edson Almeida, jornalista e um motorista de táxi, que infelizmente não conseguimos identificar, que me deram os primeiros socorros, pois o atropelador fugiu.
Como escrever sobre estes 2 grandes homens! Tio Lapão e Dr. Sinval Vasconcelos? Vou começar por Tio Lapão, que me viu dentro da barriga de minha mãe e colocou bota ortopédica em mim e que apesar da sua vasta competência e experiência como médico ortopedista, chorou ao me ver e se emocionava toda vez que tinha q fazer curativo ou algum procedimento doloroso em mim e por quem tenho um carinho especial. Lembro especialmente do dia q eu mesmo como gesso pélvico, tiveram que fazer uma incisão profunda e sem anestesia em mim, ele saiu da sala chorando. O outro Dr. Sinval Vasconcelos, ortopedista, especialista em infecção óssea, competente, cuidadoso, carinhoso, mesmo me fazia urrrar de dor, quando fazia “seus carinhos de ortopedista”, como passamos a chamar todo e qualquer procedimento mais doloroso e evasivo, e foram tantos, às vezes dia sim e outro também. Ele e sua família acabaram se tornando amigos nossos. Estes 2 grandes homens, Tio Lapão e Dr. Sinval Vasconcelos, lutaram juntos, ali, lado a lado por mim e conseguiram o que parecia impossível, salvaram minha perna.
Tem ainda Sandra Burgos, amiga de infância e profissional de Rolffing, que me ensinou com sua competência, sua paciência e carinho, a ter um novo andar, para não prejudicar minha coluna.
Vai sempre existir alguém em algum lugar que encontrei ou reencontrei nesse meu caminhar, nem sempre tranqüilo, mas sempre cheio de amor, luz e de uma vontade enorme de ser feliz. A todos eu simplesmente agradeço.

......UM DIA QUALQUER DEPOIS DE 18/11/2003...............não sei quanto tempo se passou da minha última linha escrita, mas sei q hoje estou digitando com o coração em festa , pela primeira eu resolvi procurar um médico, sim, pois todos os médicos procurados até agora, foi por meu pai, ele que sempre acreditou que iria surgir algo, para fazer minha perna voltar a ser como era.
Início do mês de setembro de 2003, estava zapeando, quando fui parar no canal Globo News, havia um programa falando de um antibiótico para quem já tinha tido infecção óssea, não pude ver a reportagem toda, cheguei no fim. Mas, foi repassada e eu acompanhei tim por tim, peguei nome do médico, Dr. Everson Giriboni, e pela primeira vez tive vontade de procurar para ver qual a sua opinião. Só conseguir marcar consulta para 03 de novembro, quem já tinha esperado quase 15 anos, esperava um pouco mais.
Finalmente chegou o dia da consulta e eu e minha mãe, fomos para Campinas-SP e meu pai ficou aqui, com uma expectativa maior, do que nós duas. Saiu melhor do que qualquer um de nós poderia esperar Dr. Everson, disse que meu caso era mais fácil do que ele pensava, mas que teria que ser feito o “conserto” em etapas. Pois, era preciso primeiro acertar meu fêmur em S, depois flexionar meu joelho e depois retirar osso do meu quadril, para completar a diferença óssea que eu ficaria, na hora eu nem parei para pensar em nada ou deixar que nenhum sentimento se manifestasse, disse que toparia, mesmo sabendo que sentiria dores e que a o pós cirúrgico não seria fácil. Ao perguntamos quando seria a cirurgia e, Dr. Everson disse que poderia ser dali a dois dias, claro, que remarcamos para dali a 15 dias, dia 18/ 11/2003, dois dias antes de completar 15 anos do atropelo, que me causou tantos danos, físicos e emocionais. Quando questionado quanto tempo de cirurgia, ele disse na maior calma e tranqüilidade, umas 10 horas, minha mãe quase cai para trás, e eu apenas disse: tudo bem, com o coração na mão. Mas, como a confiança e a credibilidade se estabeleceram de primeira entre Dr. Everson, eu e minha mãe, resolvemos juntos, todos, meu pai, eu, minha mãe que valeria a pena fazer mais 3 ou 4 cirurgias. Minha Mãe um pouco mais receosa, ponderando que eu já havia sofrido muito e que se realmente valeria à pena, assim como minha irmã e meus leais escudeiros, mas depois me deram a maior força e mais uma vez ficaram do meu lado incondicionalmente.
Cheguei a Campinas na véspera da cirurgia, acompanhada de meu pai, minha mãe, minha irmã e meu cunhado, da ansiedade, dos nossos anjos da guarda, dos nossos amigos espirituais, de rezas de todos da família e de amigos. Na sala de descanso da anestesia, pude sentir vibrações positivas de pessoas queridas que rezavam por mim, vi uma a uma.
A partir daí, passei a ir p/ Campinas 1 vez por mês e passava no mínimo 1 semana, sempre na companhia de minha mãe, fazia revisão da parte clínica e acrescentava mias alguns exercícios na parte de fisioterapia, pois Dra. Silvia Henriques, só aceitava o melhor de mim e graças à dedicação e amizade dela, hoje estou muito melhor do que podia se esperar.
Na segunda cirurgia,em agosto de 2004, para flexão do joelho esquerdo, chego em Campinas na véspera, vinda de uma viagem do Chile e como sempre meu pai e minha mãe estão comigo. Desta vez fiquei um pouco receosa, pois Dr. Everson disse q o pós-cirúrgico é um pouco dolorido e quando o médico fala assim, é melhor eu me preparar. Quando dou entrada no Centro Médico de Campinas, avisam que não há quarto individual, a princípio ficamos chateados, mas depois, não podia ser melhor, pois acabamos conhecendo pessoas boas, Cristiane, D. Lourdes, Kátia, Denise e que hoje são amigas nossas. O pós-cirúrgico foi realmente muito doloroso e muito delicado, tive que ficar 1mês sem esticar a perna e mais uma vez andando de muletas, as dores foram grandes e em algumas vezes achei que não iria suportar, mas valeu à pena, passei quase 16 anos sem flexionar o joelho esquerdo e agora flexiono pouco mais de 90º, o que já é considerado de bom desempenho p/ se ter uma vida normal. Minha mãe ficou tão nervosa com minhas dores, que um dia tinha o último comprimido, ela veio me dar o remédio e tomou no meu lugar, 20 minutos depois ela volta e pergunta: Filha a dor melhorou e eu simplesmente respondo, Não, você tomou o remédio por mim. Se não fosse trágico seria cômico, o desespero para conseguir alguém p/ comprar o remédio e nós morávamos em um sítio cerca de 56km de Salvador e o toda a contra indicação fazendo efeito em mainha, hoje damos risada, mas no dia...foi um corre corre para compara o remédio e ao mesmo tempo acalmar e cuidar de mainha.
Volto à rotina de viajar mensalmente p/ Campinas, agora até 2 vezes por mês.
Estava tudo combinado p/ retirar osso da minha bacia e colocar no lugar do osso do fêmur. Quando recebo uma ligação de Dr. Everson, perguntando se eu seria a primeira paciente no mundo a colocar um concentrado de 86% de células tronco adultas junto com um osso sintético/esponjoso, quando ele garantiu q as dores seriam menores, topei na hora. Conversei com meus pais. E minha mãe quando soube q seria a primeira do mundo, passou a ter febre e uma tosse q não tinha explicação, meu pai estava nervoso, mas procurava manter a calma, eu estava tranqüila, provavelmente por encarar esta cirurgia da célula tronco como mais uma, a ultima de uma série de 15. Só soubemos qual seria a técnica usada, na véspera da cirurgia, quando chegamos em Campinas, eu, minha mãe e meu pai. Dr. Everson explicou detalhadamente a técnica, ficamos mais tranqüilos e foi quando houve uma procura pela mídia. Até então eu não tinha noção do que estava acontecendo. O fato de ser a primeira paciente a utilizar esta técnica não significava nada para mim, pois, o que eu queria mesmo estava acontecendo, voltava a ter minha perna quase inteira, com uma diferença miníma e flexionando de volta.
Só depois, me dei conta do quanto era importante, quantas pessoas poderiam ser ajudadas, e eu, que não sou mais especial, ou melhor do ninguém. E  se Deus traçou este caminho, talvez seja, para ajudar mais pessoas, por ter me tornado mias disponível, já que não recuso atender ninguém, seja um paciente, conhecido, desconhecido, a imprensa, o que importa, é que quanto mais pessoas souberem desta técnica, mais pessoas serão ajudadas. Tenho uma comunidade no Orkut: células tronco/ Giulia Costa, que conta um pouco da técnica e do seu sucesso e no álbum meu Orkut tem fotos de antes e depois e da própria cirurgia, todos possuem acesso.
Algumas pessoas me perguntam se eu não tive medo, e eu respondo que o medo hora nenhuma se aproximou de mim, por que eu sei q Deus jamais iria permitir que algo desse errado, já que a mim, sua filha, ELE estava dando mais uma chance e que MEU PAI, COSTINHA, MINHA MÃE, RITA, MINHA FAMILIA E MEUS AMIGOS SEMPRE ESTARIAM DO MEU LADO E AINDA TINHA/TEM A CONFIANÇA ABSOLUTA EM DR. EVERSON, então qual espaço o medo tinha p/ chegar e se instalar? Nenhum.

Continua....

domingo, 8 de julho de 2012

Simplesmente Giulia: São tantas ???? Ou Se nós morássemos dentro de nós mesmo!!

Simplesmente Giulia: São tantas ???? Ou Se nós morássemos dentro de nós mesmo!!

São tantas ???? Ou Se nós morássemos dentro de nós mesmo!!



Se nossa casa fosse dentro de nós mesmos, como seriam os cômodos? Como nós seríamos como decoradores de nosso interior? Haveria cantos empoeirados e com teias de aranha por falta de uso? Ou sujeira jogada embaixo do tapete para manter a aparência?Os armários estariam todos arrumados ou existiriam alguns objetos (leiam: sentimentos) que não nos pertencem mais, só que teimamos em guardá-los? As gavetas seriam divididas em pequenos ou grandes compartimentos ou seriam espaços inteiros? As caixas seriam coloridas, com diversas formas e desenhos ou seriam em preto e branco ou com leves tons de cinza? Haveria flores naturais e seu perfume se espalharia por todos os ambientes, ou não haveria flores ou seriam artificiais? E os animais de estimação, seriam permitidos ou não seriam bem vindos?
O lixo seria sustentável? Ou seja, haveria lixos que poderiam ser reciclados ou ressignificados?Que alimentos para sua alma e para seu corpo deveriam ser jogados fora e ficam nas prateleiras dos armários, da geladeira até perderem o prazo de validade ou mofarem? Por simples preguiça de jogar fora, ou por egoísmo em não querer dividir?
O sol, o cheiro da chuva, os cantos dos pássaros, a brisa suave e uma sensação acolhedora seriam sentidos, assim que a porta ou janela fossem abertas, ou mesmo assim seria escuro e sombrio?
Prestar atenção na nossa casa interior não é fácil e normalmente quando não nos damos à atenção necessária, responsabilizamos o outro, o corre-corre, o trabalho, a vida, nunca NÓS MESMOS, sem lembrarmos que as escolhas são e foram feitas por NÓS MESMOS.
Como enxergamos , tratamos, sentimos, enfim, percebemos o nosso interior?
Já houve um tempo ou uma ocasião que te fez parar e pensar ou simplesmente sentir VOCÊ MESMO, sem interferência de quem quer que seja ou do que quer que seja? 
A vida está te levando e você vai dançando conforme a música que toca ou você tenta, tenta até conseguir imprimir o seu ritmo de andar, dançar, de conduzir a sua morada para onde e da forma que deseja?
São tantas????, tantos SE, ou OU ou E, ás vezes tudo junto ao mesmo tempo.
Sei apenas que hoje me agrada arregalar meus olhos, meu coração, minha alma e poder olhar dentro de mim, com calma, com o espírito alegre, com benevolência e gratidão. Percebendo cada cômodo e como a luminosidade e a sombra , o cheiro do lírio, a música ora suave ora mais rápida ora alegre ora um pouco triste se alternam e se transformam normalmente no que eu quero que se transforme. Há também os objetos que foram garimpados durante o meu caminhar e estão repletos de boas lembranças, alem claro das cores que irradiam deles. E tem umas caixinhas que guardam as pessoas especiais para mim, com todos os sentimentos bons e quentes que são capazes de despertar em mim e que acesso todas as vezes que desejo. Essa parte é uma das melhores.
Confesso que ainda há, e acredito que haverá sempre uma prateleira empoeirada, um objeto quebrado, uma teia de aranha em algum local, precisando ser limpa, remendado, ou jogado fora e sei que não é fácil sei que é possível, basta ter calma e querer.
Não tenho pressa, gosto de degustar, de saborear, de celebrar cada conquista, cada cômodo que transformo em um lugar que posso sentir e chamar de minha casa (meu eu) e que permanece iluminado, cheiroso e pleno de alegria, amor, paz, saúde, beleza, calor e frio na medida certa, se conseguirei fazer isso com todos os meus cômodos, em toda a extensão da minha casa? Sinceramente não sei. Só sei que uma delícia iniciar a faxina e dar continuidade, mesmo que durante haja choro e paradas, no final, se é q eu existe um fim, estarei plena e sabendo que o meu olhar vai dar uma festa, sempre.

terça-feira, 26 de junho de 2012

25 de junho, meu dia!


O meu espírito é alegre, tenho consciência e amo que seja assim. Tenho o dom de enxergar o melhor do mundo, sem deixar de ver o pior, consigo hoje acalmar meu coração e adoçar a minha língua antes de proferir palavras ou tomar atitudes, posso ao mesmo tempo estar com o meu corpo acelerado e a minha mente calma, me permito viver o hoje o agora colhendo frutos doces e suculentos de sementes plantadas no passado, mas sem viver nele ....é isso e muito mais sou, Giulia Maria e sou grata por mais um ano celebrar meu dia, 25 de junho, rodeada de velhos e novos amigos. Amigos de perto e amigos de longe. Amigos diversos, simples amigos. De gente que gosta de gente, de sorrir, de olhar nos olhos, de abraçar forte e transmitir paz, amor, carinho, ternura. Sou grata a vida por ter vcs em meu caminhar. Obrigada AMIGOS.
E sou grata incondicionalmente a minha mãe Rita D' Cássia Silvae a meu pai Antonio José Costa Filho por me trazerem a este mundo, me amarem, me educarem e por terem permitido o meu crescimento diário como ser humano. Seja através dos seus exemplos e das suas palavras ou até mesmo dos esporros. Amo vcs e tenho a certeza absoluta que vcs são os pais ideais para mim, não idealizados, e sim do tamanho e da forma justa, necessária, risonha e bem humorada que são. Obrigada a Deus, a meu Santo Toinho, Minha Iemanjá, aos Espíritos de Luzes que me protegem desde sempre. Gracias a vida por ter me dado tanto. E que venha o meu ano novo, repleto, cheinho, transbordando de coisas boas, que estou de braços abertos, coração pulsante, olhar brilhante e estendido e além claro ...acompanha tb do meu jogo do contente!

domingo, 17 de junho de 2012

E meus sonhos são?


É assim q vejo os meus sonhos, em formatos diversos. Colorido assim, perfumado, iluminado e ainda de quebra tem música e alguns cheiros q vão além das flores, tem o sorriso e o olhar de gente e a capacidade de fazer meu coração sorrir e minha alma entrar em festa a qualquer momento. Depois de tudo q passei fica quase impossível eu ver sombra sem luz, ou preto e branco, pq a fé q possuo naquilo q não vejo me faz ver aquilo q creio. 

Fé, simples assim.


Fé é acreditar no que não vejo e ver o que sinto. Como vc sabe meu Santo Toinho, posso chamar assim, afinal Ele é meu irmão camarada e já chorei em seu colo, enquanto Ele alisava meus cabelos e secava minhas lágrimas, me dizendo; Calma , tudo tem seu tempo e se ainda não deu certo, foi pq ainda não terminou e já sorrir mais q chorei, um sorriso doce, acompanhado de uma sensação deliciosa de alegria e plenitude, quase sempre nos sentamos em um jardim cheio de lírios e conversamos muito, ou melhor falo muiiitooo mais que demais e Ele ouvi, sorrir,faz carinho no meu rosto, afaga meus cabelos , olha nos olhos e diz VÁ e VIVA que estarei ao seu lado ,deixe sua alma aberta para a felicidade das pequenas coisas no dia a dia e Filha EU TE AMO, haja o que houver EU, Santo Toinho, estarei com VC e mesmo qdo se zanga comigo...EU ESTOU COM VC e VC ME LEVA PARA ONDE VAI.

SOU GRATA VC MEU SANTO TOINHO, PELA MINHA FAMÍLIA, PELOS MEUS AMIGOS, POR MINHA VIDA E POR SABER E ACEITAR QUE A MINHA FÉ INDEPENDE DO MEU CREDO E SIM DA CERTEZA QUE ESTAREI AMPARADA PELO SEU COLO, PELO SEU OMBRO, PELOS SEUS CONSELHOS.
 



domingo, 16 de outubro de 2011

O Jogo do Contente

No Jogo do Contente - Pollyanna. Como ele me mostra que não há conformidade com os fatos ,que respiro fundo e retiro o véu e as sombras e enxergo a minha capacidade de ressignificar, de ver sempre o lado positivo e de como o utilizo de forma fácil, simples e até mesmo inconsciente. E como consigo passar esta forma de agir para outras pessoas e é tão boa a sensação quente, iluminada, florida e perfumada que toma conta de meu ser e me faz acreditar que estou caminhando para me tornar um ser humano cada dia um pouco melhor e assim transformar o mundo em um mundo melhor também um pouco a cada dia.


Foto: Emanuele Benvenutti

sábado, 27 de agosto de 2011

Sentimentos são como cores, alguns claros e serenos outros escuros e sombrios.



Sinto a minha alma mais iluminada e os meus sentimentos estão sempre claros e serenos (às vezes impulsivos e apaixonados). Hoje mais que ontem e amanhã mais que hoje procuro despertar o que há de melhor em mim. O riso solto, o brilho no olhar, o coração aberto, a certeza que vou alcançar minhas metas a curto, médio e longo prazo.
Eu consigo ir fundo nos meus sentimentos e tirar de mim para não mais voltar as raivas, as tristezas, as mágoas, o não fazer ou o fazer demais, estou me libertando, as mudanças em mim já acontecem diariamente e nada pode modificá-las, pois todos os meus sentimentos permito que venham com toda a força e eu sou capaz de destruir cada um que seja escuro ou sombrio, encerrando ciclos e sei que só consigo fazer isso, por que quero,por que acredito ser o melhor para mim.
Ter a certeza mais uma vez da presença de Deus nas mínimas coisas me faz ficar mais forte e sabe o que é melhor? Estes sentimentos claros e serenos (às impulsivos e apaixonados), confirmam que os dias bons sempre irão superar os ruins e que continuarei sendo capaz de transmitir a minha Fé, o meu Amor pela Vida, por nós Seres Humanos, por e para onde Eu for eles estão e continuarão sempre comigo. Abram alas pois Giulia Maria está aqui hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje. Sou uma resiliente sim, e não permito que queiram me fazer ver mais dias cinzas que coloridos. Como já disse o poeta:" eu consigo ver um raio de luz na escuridão " e sou assim por ter nascido na família ideal para mim, pois é exatamente do tamanho que preciso. E por me permitir encontrar e reencontrar amigos que são capazes de despertar o meu melhor e  aturar meu pior.
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domingo, 21 de agosto de 2011

Vida-Sensações

Doce,suculenta,macia e um pouquinho azeda como uma mousse de limão com suspiro. Possui o som do mar calmo ou do vento de chuva. As cores e  a luminosidade do amanhecer de um dia de verão ou o cinza do céu do inverno. O cheiro delicado da rosa e  a  força do lírio ao nascer e florir no charco. Assim percebo  o meu dia a dia e quando os sentimentos se tornam poderosos demais o meu corpo chora de alegria, sorrir de tristeza  ou simplesmente faz o sangue correr mais livre e mais latente nas minhas veias. A celebração diária  se faz presente e o calor do amor também, desperto sempre acreditando no novo dia e nas boas energias que dele sugarei e ao mesmo tempo emitirei. Será loucura da minha alma? Não, não creio, nada é absoluto, tudo é o resultado do meu mapa mental e eu só  me permito trilhar caminhos que me tornem mais consciente do ser humano que sou.















































quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Preguiça x Inspiração


Eu estou igualzinha a ele, com idéias mil mas uma preguiiiçççaaa!!!! aí vem  a inspiração.....escrevo um pouco .....vem a preguiça......vem  a inspiração.....por enquanto só tenho  a dizer que estou muito feliz!!!!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Amanhecer.....




...o silêncio, a quietude, o marulho, o canto do vento, o frescor, o cheiro de esperança e a certeza da minha fé me fazem amar o amanhecer, me sinto inteira como um ser humano em evolução. Tendo a possibilidade de aprender, acertar, mudar, criar, desaprender, errar, sorrir, de ver matizes de cores, sejam do cinza ou raios de sol ou  a mudança da tonalidade do azul do mar. Me permito mergulhar em todo o meu ser nesta pequena fração de tempo e  tudo se torna possível.Me sinto criança, vendo desenho nas nuvens, me vejo garota adolescente com nariz empinado e às vezes insolente e sempre sorridente e me sinto mulher que ainda vê desenhos nas nuvens, tem o nariz empinado, um pouco insolente,um brilho no olhar e um sorriso nos lábios, dengosa, responsável, pontual, mediadora, chata , que canta e dança como se não estivesse ninguém olhando, que se sente plena, com um monte de ?????? a serem ou não respondidas e que no amor ao amanhecer enxerga não um novo dia, e sim a relva fresca com gotas de orvalho, que ouve um som único alegrando a  alma e sente um cheiro de rosas se abrindo para o a chuva, para o sol ...para  a vida.







sábado, 23 de abril de 2011

Desabafo.......



Hoje recebi um e-mail de uma amiga minha, Nanda Paiva. Onde é  contada  a história de um japonês, Peng Shuilin, que perdeu metade do corpo em acidente e hoje mais de 10 anos depois e contra todos os prognósticos está andando e vivendo uma vida  tranquila, o sorriso dele diz tudo. 
E então, olhando esta paisagem ...... me veio este desabafo que agora compartilho com vcs.
Não tive membro nenhum amputado, mas acredite amiga,ficar sem andar e sem saber como vai ser o dia de amanhã não é fácil e eu infelizmente sentir isso na pele por 1ano e 6meses tempo q passei na cama, alguns meses sem sentar, alguns meses sem deitar e alguns meses recostada e fazendo tudo o q vc possa imaginar na cama.Sem falar nos anos que passei andando de muletas. E se disser q não me revoltei, estaria mentindo, me revoltei sim, só que Deus e a espiritualidade me deram  uma familia e amigos que nunca me permitiram surtar, deprimir e  a minha fé e força, encontrei respectivamente em meu pai e em minha mãe, além claro do amor e torcida de todos que hoje fazem parte da minha história. Inclusive vc.
Desculpe o desabafo, hoje estou especialmente sensível, provavelmente por estar me recuperando de uma queda e os hematomas estarem se desfazendo e por isso doloridos. e tb, talvez pq todas as vezes que começo um novo caminhar, tem acontecido algo p/ fazer eu parar e eu ainda não consigo enxergar o ou os motivos.E hoje com o conhecimento que possuo da espiritualidade e de PNl saberei encontrar os motivos e dar um basta, mas uma vez não perco a fé, a certeza de que caminhar em direção ao positivo, não fugindo do negativo, e sim resolvendo e fechando ciclos é mais uma vez fundamental para mim. Conversarei com cada uma das minhas subpersonalidades e serei como sempre sincera, mesmo que haja alguma dor.
Sei que não sou melhor ou pior do que o outro, mas sei que posso estar mudando para melhor.

Bjos e um abraço de "ursa",

Giulia Maria

PS; Não estou triste apenas reflexiva. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

OBA!!! " 6 anos que Uma cirurgia com célula-tronco mudou minha vida”











Texto da revista Marie Clarie - Setembro de 2007


Giulia Costa tinha 20 anos e o sonho de se formar pedagoga quando foi atropelada por um carro em alta velocidade. O resultado do acidente foi uma fratura na perna esquerda que a deixou deficiente física. Depois de 14 cirurgias e 15 anos vivendo com limitações, Giulia aceitou ser a primeira paciente do mundo a se submeter à técnica cirúrgica que combina osso sintético e células-tronco. Recuperada, ela conta como está 'reaprendendo a viver'.
'Nunca senti pena de mim. Aprendi com a minha família a não fazer drama diante de uma crise'
Eu tinha acabado de me formar no Magistério, estava dando aulas em uma escola particular e me preparava para prestar o vestibular em Pedagogia. Era uma jovem comum, que usava minissaia, decote, biquíni. Gostava de jogar capoeira, andar pela praia de Itapuã e sair atrás de trios elétricos no Carnaval de Salvador. Mas, em novembro de 1988, minha vida mudou radicalmente. Era de manhã, eu estava indo para o cursinho, quando fui atropelada na faixa de pedestres por um carro que furou o sinal vermelho. O impacto foi tão grande que fui jogada na pista contrária da avenida.

O motorista foi embora, como se nada tivesse acontecido, e eu fui levada por dois homens que viram o acidente para um hospital público perto dali. Naquela hora, não sabia onde estava e muito menos o que tinha acontecido. Foi tudo tão rápido e inesperado que não consegui guardar na memória. Mas lembro dos gemidos, das luzes brancas do hospital, do cheiro forte de éter. Lembro também da dor lancinante que sentia na perna esquerda e do medo de estar ali sozinha e sem condição nenhuma de tomar qualquer providência que pudesse melhorar o meu estado.

Meus pais, que foram avisados pelo telefone, chegaram logo depois e me transferiram para um hospital particular. Apesar da dor que contaminava o meu corpo, senti um alívio profundo ao ver meus pais. Era sinal de que eu estava amparada e viva. Logo soube que, além das várias escoriações, meu fêmur esquerdo tinha sido quebrado no acidente e que eu precisava ser operada com urgência. Naquele dia mesmo, entrei na faca.

Depois de uma semana de internação, voltei para casa feliz da vida. Ainda tinha dor na perna, nos machucados, mas os médicos me garantiram que, em 90 dias, eu estaria andando normalmente. Na minha cabeça, o pior já tinha passado. Mas que nada, mal tinha começado. Primeiro, tive febre e inchaço no lugar da cicatriz. Mas o médico do hospital insistia em achar que era 'dengo' meu.

Como não melhorava, meus pais me levaram a outro médico. Fui atendida por dois especialistas e recebi o diagnóstico: grave infecção óssea. Esses médicos tentaram conter a infecção me dando antibióticos e me engessando do pé até embaixo do seio. Aquilo não era um gesso, era uma armadura! Eu ficava sentada o tempo todo. Não levantava, nem deitava. Dormia sentada, ancorada por um monte de almofadas. Foram três meses assim.

Ainda bem que a minha família nunca foi de fazer drama, e eu acabei aprendendo a ser assim também. Às vezes, até ameaçava todo mundo lá em casa, em tom de brincadeira: 'Vou ficar capenga e vocês vão ter que cuidar de mim para sempre.' Mas acreditava que era um problema passageiro e nem pensava nas perdas que tinha tido com o acidente. Meu maior objetivo era seguir todas as orientações médicas para me recuperar e voltar a ter uma vida normal. Não sentia pena de mim e raríssimas vezes chorei. Nas noites de insônia, 'assistia' da minha janela o farol de Itapuã acendendo e apagando...

Quando finalmente tirei o 'gesso armadura', estava cheia de esperança de que a história terminaria ali, mas tive outra péssima notícia. Todo aquele esforço para conter a infecção não tinha adiantado nada. Ao contrário, a infecção tinha piorado, e eu precisava ser operada de novo, também com urgência, para tirar a parte infeccionada do fêmur.

Dessa vez, era uma cirurgia complicada, eu corria o risco de perder a perna esquerda. Entrei em desespero, fiquei desnorteada. Meus pais e minha irmã tentavam me animar, mas estava na cara que também estavam em pânico. Ver a dor deles e sentir a minha própria acabou me matando um pouco por dentro, tenho certeza.

Entrei no centro cirúrgico assustada e com medo. Mas logo me deram anestesia... A operação demorou algumas horas e, quando acordei, a primeira coisa que eu quis saber era se os meus dois pés continuavam comigo. Sim, estavam lá! A operação foi um sucesso, não perdi a perna, mas a esquerda ficou oito centímetros menor do que a direita. Além disso, meu joelho não flexionava mais. Mas isso era o de menos naquela altura. Eu chorava e ria ao mesmo. Estava excitada, sentindo um misto de alegria e alívio.

 No meu aniversário de 21 anos, em junho de 1989, ainda estava internada. Eu me sentia melhor, fazia progressos, mas continuava naquela cama de hospital. Além disso, estava muito magra e abatida. Pensava: 'Nossa, sou só pele, osso e cabelo.' Achei que nada de especial ia acontecer naquele dia, só que me enganei. Meus amigos 'invadiram' o quarto do hospital, levaram doces, bolo, refrigerante e fizemos uma festa ali mesmo. Eu fiquei emocionada, feliz, me senti cheia de vida.


Saí do hospital, dias depois, com uma perna menor do que a outra, sem mexer o joelho esquerdo, com dor, mal me movimentando e usando um aparelho na perna, que parecia uma gaiola. Era uma peça superpesada, com uns parafusos que precisavam ser apertados de oito em oito horas. Foi uma barra, mas meus amigos me deram muita força. Sempre tinha gente lá em casa. Às vezes, um ou dois amigos, às vezes, uma turma inteira. Levavam petiscos, cerveja, violão e ficavam jogando conversa fora até tarde da noite. Isso, de certa forma, me animava. Mas também passei por muitos momentos de tédio e solidão. É complicado perder os movimentos de uma hora para outra e passar a depender de alguém o tempo todo.


Mas não desisti de ir à luta. Prestei vestibular e, surpresa boa, entrei na Pedagogia da Universidade Federal da Bahia. Fiz o vestibular em casa e foi sensacional, uma prova de que estava viva e ativa. Foi muito bom entrar na faculdade, mas logo tive uma enorme decepção: o prédio da universidade não tinha acesso para deficientes físicos. Por isso tive que transferir a minha matrícula para a Universidade Católica, que também não dava atenção especial aos deficientes físicos, mas, pelo menos, estava instalada em um terreno totalmente plano.


Com o tempo e aos poucos, fui me recuperando. Passei a usar sapatos com compensação na sola para regular a diferença das pernas e voltei a andar devagar e de muletas. Para freqüentar a faculdade, levava uma cadeira de praia -bem mais confortável que a carteira da sala-, um almofadão e uma manta, além das muletas. Meu pai, que era promotor de Justiça na época, me ajudava com os equipamentos. Ele sempre esteve do meu lado.


Meses depois conheci Cássia, grande amiga, e liberei meu pai da função de motorista. Concluí a faculdade em sete anos, não em cinco, que é o tempo regulamentar. Levando em conta as dificuldades físicas e emocionais que tive, terminar nesse tempo foi uma grande vitória. Mais tarde ainda, consegui me livrar da gaiola e foi uma alegria enorme. Um alívio, na verdade. Apesar da perna mais curta e do joelho duro, eu me sentia livre e já podia até dar umas voltinhas na rua sozinha.


Sem as amarras, decidi que ia pular o Carnaval de 1993. Sou louca por Carnaval! Ver a festa pela televisão durante anos foi um verdadeiro martírio para mim. Claro que minha família ficou com medo, tentou me fazer desistir da idéia, mas eu estava irredutível. Uma prima, a Fatinha, me ajudou a convencer a família toda. Disse que me acompanharia o tempo todo, não tiraria o olho de cima de mim e prometeu que me devolveria 'inteira'. Nem sei se ela sabe o bem que me fez. Fomos as duas, e eu me diverti como há muito não me divertia. Não consigo esquecer daquela Quarta-Feira de Cinzas na Barra, eu chorando de felicidade e cantando com Daniela Mercury: 'A cor dessa cidade sou eu...'.


A partir desse Carnaval, caiu a minha ficha. Se dava para brincar na rua, eu podia fazer tudo -e comecei a fazer mesmo. Fui caminhar nas trilhas da Chapada da Diamantina, passei a sair mais com os amigos, voltei a ter uma vida social. Difícil foi lidar com o preconceito. Muitas vezes, quando um homem se interessava por mim, ele se aproximava e recuava assim que percebia a minha deficiência. Na Chapada, algumas pessoas passavam pelo meu grupo e falavam coisas do tipo: 'Por que trouxeram essa moça? Isso é maluquice.' Ouvia e não respondia nada. A melhor resposta era mostrar que eu estava bem.
Gesso pélvico usado de janeiro a março de 1989.








gaiola utilizada por mim, por dez meses, entre maio de 1989 e  março de 1990.

Aparelho utilizado por mim, logo após retirar  a gaiola, durante 7 meses,de a março de 1990 a outubro de 1990 com ele dormia sentada.
Dr. Sinval Vasconcelos ( de camisa amarela) responsável por eu não perder  a minha perna, grande ser humano, que hoje está do outro lado da vida. E meu pai, o grande responsável por esta cirurgia de células tronco acontecer.

Aparelho de PVC utilizado por por mim por 4 meses, de outubro de 1990 a fevereiro de 1991.

Tensor utilizado de janeiro de 1993 à novembro de 2003.


Tensor utilizado de janeiro de 1993 à novembro de 2003.
Só retirava p/ tomar banho e dormir.

Carnaval de 2003. Bloco Coruja.

Batizado Dança do Ventre - Novembro de 2002


Braga- Portugal, tensor e sandália compensada 6,5cm, junho de 2000.

Meu sobrinho Marcelo  brincando de "aqui tá fundo aqui tá raso" com minha bota compensada 6,5cm


Morro do Pai Inácio - Chapada Diamantina 





Minha perna esquerda deformada e sandália de dedo, compensada 6,5cm. Natal de 1997.

Festa a fantansia do Beijo, não lembro o ano.Vestida de Diaba e com sandália de salto alto, pé esquerdo  além do salto, compensada 6,5cm.
Meu Fêmur esquerdo de 1993 atá 18 de novembro de 2003


Hoje dia 5 de abril faz 6 anos da cirurgia que fez minha perna esquerda voltar a ser do mesmo tamanho da direita, depois de quase 17 anos mais curta 8,5cm. Agradeço a Deus, Meus pais, minha irmã e trupe, aos meus leais escundeiros, aos novos amigos q surgiram neste caminnhar, a mim por nunca ter perdido a fé e a certeza que mesmo por novas dores, tudo iria dar certo, a Dr. Everson Giriboni e sua equipe médica, a Januza, seu braço direito e a todos daqui de Salvador, de Campinas que me ajudaram neste processo, não posso esquecer de Dr. Sinval Vasconcelos e Tio Lapão, que cuidaram da minha perna até eu encontrar Dr. Everson Giriboni.






Eu e Dr. Everson Giriboni




Pós-cirurgia de Flexão do Joelho em agosto de 2004

Flexionando o joelho esquerdo em novembro de 2004 - Quase 16 anos depois dele ficar rígido.

Meu Fêmur esquerdo com aplaca, pronto p/ receber o osso esponjoso com células tronco adultas.

Pastilha do osso esponjoso ou osso sintético.


Retirando Células Tronco Adultas da Minha medula osséa.

Pastilha do osso esponjoso ou osso sintético com 86% de concentrado de células  tronco adultas.

Meu fêmur esquerdo com  a placa e faltando  8,5cm de osso meu

Colocando a primeira pastilha de osso esponjoso ou osso sintético p/ preencher o espaço do meu fêmur esquerdo.


As duas fotos são do espaço do meu fêmur esquerdo já preenchido com osso esponjoso ou osso sintético com concentrado de *6% de células tronco adultas.

Outubro de 2005, Oktoberfest, perna esquerda do mesmo tamanho e samdália havaina sem compensação, que alegria!!!

Joelho esquerdo flexionado, sem dor e tudo as mil maravilhas!!



Todas as 4 fotos acima, são da minha viagem de comemoração de 22 anos de renascimento no Grand Celebrantion!! E esta sou EU, Circe,a filha do Sol com A Lua!!!

Com o penacho na cabeça e um apito de paz,...quero mais ...quero mais.. Carnaval de 2011 


A foto com Wagner Moura foi tirada no Carnaval de 2006 ou seja menos de 1 ano após a cirurgia, por isso  abengala, apenas uma proteção. A foto tirada com Gilberto Gil foi tirada no Carnaval deste ano, 2011, aí já viram né!! Me joguei...

Eu e os dois pequenos Gandy, no pôr do sol na Praça Castro Alves no domingo de Carnaval de 2011.

Eu e minha irmã, comadre e madrinha rsrs




Parte da Família Foliã, Pelourinho Carnaval de 2011.


Até três anos atrás, minha vida era a mesma e, de certa forma, estava até conformada com as conseqüências do acidente. Aceitei a minha nova realidade. Mas meu pai não sossegava. Ele sempre acreditou que, um dia, ia aparecer alguém, algum médico, que pudesse corrigir o meu problema. Por isso ele vivia antenado às novas técnicas e aos cirurgiões. Ele chegou a enviar meus relatórios médicos para os Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Japão.


'Já usei sandália rasteira e bota de cano longo. Agora me preparo para o primeiro sapato de salto alto depois de 17 anos'
Mas fui eu quem descobriu, totalmente por acaso, a chave para o meu problema. Em setembro de 2003, 15 anos depois do acidente, vi uma reportagem na televisão com o médico Everson Giriboni. Ele falava sobre um antibiótico poderoso contra infecção óssea. Dizia também sobre um estudo que estava fazendo, usando osso artificial e célula-tronco. O estudo ainda não era conclusivo, mas em algum momento ele falou que a técnica poderia ajudar pessoas como eu, que carregavam um problema ósseo.

Foi a primeira vez que eu senti vontade de procurar um médico. Descobri o telefone dele e marquei uma consulta. Como Giriboni atende em Campinas, interior de São Paulo, minha família e eu planejamos a viagem para dali a alguns dias.

Fomos só eu e minha mãe, meu pai não pôde nos acompanhar. Com um novo raio X, o médico me perguntou o que mais me incomodava, se era não dobrar o joelho ou a diferença no tamanho da perna. 'O joelho', respondi na hora. Mas o melhor de toda a nossa conversa foi descobrir que existia uma solução para o meu caso. O senão era que, para melhorar, eu tinha que passar por outras cirurgias. Senti uma confiança enorme no doutor Giriboni e resolvi arriscar. Minha intuição dizia que tudo daria certo.

E foi dando. Passei por algumas operações, tive que quebrar o fêmur de novo, esperar o osso calcificar, sofri o diabo. Mas, logo nos primeiros procedimentos, a diferença entre as minhas pernas diminuiu pela metade. Em março de 2005, tinha chegado a hora da última e definitiva cirurgia, que resolveria de vez o tamanho das minhas pernas. Eu estava na maior expectativa, não só porque queria uma solução para o meu caso, mas especialmente porque o estudo de Giriboni com osso sintético e célula-tronco finalmente tinha sido concluído, e eu seria a primeira paciente do mundo a se submeter a essa técnica.

Fiquei aflita com tudo isso e, pouco antes da operação, muitos jornalistas me procuraram. Eles queriam me conhecer, falar com a pessoa que estava prestes a receber a tal técnica pioneira. Essa situação me deixou assustada e bastante ansiosa. Foi naquela hora que percebi a dimensão do que estava para acontecer. Fiquei com frio na barriga, mas aceitei conversar com os jornalistas. Na verdade, quero que todo mundo conheça a minha história porque uma cirurgia com células-tronco pode mudar a vida de uma pessoa. E foi o que aconteceu comigo.

Mais uma vez, fui para a faca. Já tinha feito tantas cirurgias que entrar no centro cirúrgico virou meio que uma rotina para mim. Mas naquele dia foi tudo diferente. Senti um aperto, uma sensação nova. Acho que era ansiedade, medo, expectativa, tudo junto. Não sei. Depois da operação, recebi a melhor de todas as notícias: tinha dado tudo certo, agora era me recuperar.

Faz dois anos que enfrentei essa cirurgia. O tal osso sintético virou parte do meu esqueleto. Hoje, aos 38, tenho uma diferença nas pernas de só dois centímetros e meio. Mas tenho esperança que isso seja superado com fisioterapia. Não uso mais muletas, aparelhos ou sapatos compensados. Além disso, sento no chão de pernas dobradas e cruzo as pernas como qualquer pessoa.

Já usei até sandália rasteira e botas de cano longo, itens inexistentes no meu guarda-roupa. Agora me preparo para o primeiro salto alto. Nossa, é uma delícia entrar em uma loja, fazer a escolha e sair de lá calçada com um novo par. Fico até emocionada. Foram 17 anos levando sapatos para colocar compensação no salto. Eu até já joguei bola com os meus sobrinhos. Está certo, fiquei no gol porque ainda não sou uma atacante. Mas ensaio uns chutes sem medo de cair.

Também voltei a andar de bicicleta, que eu adoro. Fazer essas coisas pode parecer pequeno, até ridículo. Mas, para uma pessoa nas minhas circunstâncias, elas provam que qualquer esforço vale muito a pena.

Ainda estou me adaptando 'ao meu novo corpo'. Às vezes me pego andando descalça na ponta do pé, como fazia antes, quando a diferença das pernas era maior. Mas comecei a fazer aulas de consciência corporal para reaprender os meus movimentos, o meu corpo e o espaço que ele ocupa. Meus sonhos continuam. Quero voltar a trabalhar com educação e, de alguma forma, ajudar as pessoas. E, daqui para a frente, espero não ver mais nenhum Carnaval pela TV. No ano que vem quero sair atrás do trio elétrico de novo. Tenho certeza de que vou conseguir.'


"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo." Buda



SIMPLESMENTE GIULIA